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👂🌼 O Poder da Escuta Qualificada 🌼👂

  • 20 de ago. de 2023
  • 3 min de leitura

👂🌼 "Não é bastante ter ouvido para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma." (Alberto Caeiro - Fernando Pessoa) 🌼👂⠀ ⠀

A primeira vez que me deparei com essa inspiradora citação foi no texto "Escutatória" de Rubem Alves, e desde então, ele se tornou uma leitura que voltou diversas vezes ao longo do ano. Essa reflexão profunda sobre "O Poder da Escuta Qualificada" ressoa em mim como profissional da saúde mental.⠀ ⠀

Adotando uma postura de empatia e compreensão genuína, encontro na escuta uma das ferramentas mais valiosas. Através dela, crio um espaço seguro onde cada palavra e silêncio ganha um significado profundo. Fundamentada em evidência, essa prática me permite ajudar na transformação de histórias em resiliência e conexão. ⠀ ⠀

Por meio do meu atendimento psicoterápico, ofereço uma escuta humana e qualificada. Você já experimentou a sensação de ser ouvida genuinamente? Compartilhe nos comentários como a escuta atenta já impactou sua vida. Juntos, estamos construindo um caminho de apoio e crescimento emocional. 💛🌱




⠀ ⠀

Poder ouvir de verdade é uma arte difícil de aprender e de colocar em prática... contudo quando realizada de maneira empática e livre de julgamento proporciona um cuidado em saúde profundo... Deixo a seguir o Fantástico texto de Rubem Alves para que vocês consigam junto a mim refletir sobre esse 'superpoder' que podemos oferecer ao outro:


Escutatória

Rubem Alves



Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

No fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.

Vejam a semelhança... Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais.

São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro.

Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência... E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.

Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.


 
 
 

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